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Stone: O Unicórnio Brasileiro que chamou a atenção de Warren Buffet

A aposta desses megacapitalistas na Stone é também uma aposta no potencial dos pequenos negócios no Brasil.


Por Sandra Boccia, Nayara Fraga e Marcelo Moura


Funcionários da Stone no IPO, na Nasdaq, em Nova York: valor de mercado de US$ 9 bilhões e sociedade com gigantes das finanças globais (Foto: NASDAQ/Divulgação )


“Essa história de empreendedorismo se tornou possível graças a três grupos de parceiros: nossos clientes, que são a razão de nossa existência; nossos investidores, que nos apoiaram e acreditaram em nossos sonhos e visão desde o princípio; e nosso jovem e apaixonado time de empreendedores, que estão transformando o panorama brasileiro dos pequenos negócios, com sua energia incansável.”

Assim começa a carta de apresentação da Stone, assinada pelos seus fundadores: os cariocas Andre Street, de 34 anos, e Eduardo Pontes, de 39. O texto foi registrado na Securities and Exchange Commission (SEC), autoridade do mercado de capitais dos Estados Unidos, como parte dos trâmites para a oferta inicial de ações (IPO) da empresa.


No fim de outubro, a processadora de pagamentos, fundada em 2012 e conhecida pelas maquininhas verdes de cartão de crédito, lançou seus títulos na Nasdaq. Conseguiu levantar US$ 1,5 bilhão — o valor mais alto obtido por uma empresa brasileira desde 2013 —, e alcançou um valor de mercado de cerca de US$ 9 bilhões. É um fenômeno tão raro que existe um adjetivo para as poucas startups no mundo avaliadas em mais de US$ 1 bilhão: unicórnio. Após o IPO, a Stone passou a ter entre seus sócios a nata do capitalismo mundial.


São nomes como Berkshire Hathaway, administradora de investimentos do megainvestidor Warren Buffett; Ant Financial, subsidiária de pagamentos da gigante de e-commerce chinesa Alibaba; Madrone Capital Partners, fundo de investimentos que cuida da fortuna dos herdeiros do Walmart, colosso americano do varejo; além dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, da 3G Capital — gestora da Ambev e do Burger King.


A carta dos fundadores sugere que a aposta desses megacapitalistas na Stone é também uma aposta no potencial dos pequenos negócios no Brasil. O sucesso da empresa, afinal, depende do sucesso do setor.


Andre Street é grato aos cerca de 9 milhões de pequenos e médios empreendedores do Brasil. Em nome dessa gratidão, respondeu a 20 perguntas de Pequenas Empresas, Grandes Negócios. “Esta é a primeira entrevista que dou na vida”, diz Street, nas páginas seguintes.


Os leitores da revista são a força motriz deste país.” Informal dentro de sua empresa — a ponto de circular de bermuda e pedir opiniões aos funcionários, nos corredores —, Andre é avesso à exposição pública. Recusou nosso pedido de fotografia. Aceitou apenas divulgar sua equipe — e suas ideias.


Aparentemente novo, aos 34 anos, Andre Street é na verdade um jovem veterano. Seu bisavô, o médico Jorge Street (1863-1939), foi um empresário pioneiro na tecelagem brasileira e um dos fundadores do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp).


Ainda na escola, aos 15, Andre fundou sua primeira empresa de pagamentos — a Paga Fácil, vendida em 2004, quando cursava a faculdade de Direito. Em parceria com Eduardo Pontes, criou também a Braspag, vendida ao Grupo Silvio Santos em 2009 e hoje parte da Cielo.


A carta de apresentação da Stone traz três aprendizados, úteis tanto para os investidores estrangeiros como para empreendedores brasileiros: 


• “O Brasil é um país maduro com oportunidades. Não apenas por sua grande população e economia em desenvolvimento, mas também por causa da presença relativamente fraca de pagamentos eletrônicos e de tecnologia simples e amigável para ajudar o comércio moderno e estimular o empreendedorismo brasileiro”.


• “Num mercado como o nosso, é importante estar muito bem afinado com o ambiente regulatório. Nos esforçamos em entender novas regras de uma perspectiva técnica. Muitas de nossas decisões foram guiadas pelo nosso entendimento da estrutura de mercado do Brasil e pelos rumos do ambiente regulatório, a fim de beneficiar a sociedade e aumentar a competitividade.”


• “A terceira e mais importante lição que aprendemos, desde os primeiros dias, foi que a concentração e a tradição no mercado criaram uma lacuna nas ofertas disponíveis para os comerciantes, tanto em termos de tecnologia quanto em atendimento ao cliente. Esse contexto criou uma oportunidade de construir uma empresa centrada em torno das necessidades dos comerciantes, e de equipá-los para impulsionar uma transformação que apenas a tecnologia poderia proporcionar.”


Os fundadores da Stone dizem que a receita do sucesso da empresa — que, em menos de seis anos de atividade, conseguiu mais de 230 mil clientes e 5,5% do mercado de pagamentos — é o foco no consumidor. “Queríamos que nossos clientes tivessem um serviço agradável e prazerosamente surpreendente — em vez de apenas aceitável”, diz a carta.


Estávamos apaixonadamente focados na ideia da centralidade do cliente — a lógica principal do que fazemos precisa estar voltada a melhorar a experiência do consumidor.” Este é um princípio importado de outros setores. O texto cita explicitamente o exemplo da Zappos, a rede de varejo online ligada à Amazon, famosa por satisfazer os consumidores mesmo quando isso não envolve a venda de seus produtos. Segundo a dupla Andre Street e Eduardo Pontes, o atendimento da Stone apoia-se em três pilares:


• Tecnologia: reduzir a necessidade de perder tempo com assistência, ao criar um serviço de autoatendimento simples e intuitivo;


• Conexão humana: qualificar atendentes para entender o cliente e resolver problemas;


• Proximidade: manter-se perto do cliente é a única forma de entender as suas necessidades.


Seguir os aprendizados e pilares da Stone pode não ser uma garantia de sucesso. Mas ignorá-los é, seguramente, um atalho para o fracasso.


Este texto foi publicado originalmente no site da revista PEGN.

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