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Franquia, fake e fatos.

Por Mauricio Salkini.



Sem observação a Lei de Franquias (nº 8.955, de 15/12/1994), não é franchising, é

Fake! O mercado oferta negócios que chamam de franquias sem respeito a lei do

franchising. Eu não aceitaria um advogado sem OAB, um engenheiro sem CREA e um

médico sem CRM. Só compro empresa com alteração contratual e monto lojas após

leitura atenta e assinatura do contrato de locação.


"Antes de ser assinado o contrato de franquia ou ainda antes do pagamento de qualquer tipo de taxa pelo franqueado, deverá ser entregue a Circular de Oferta de Franquia (COF), com antecedência mínima de dez dias. Sob pena de ser anulado o negócio e ser exigida a devolução de todas as quantias despendidas ao franqueador ou a terceiros por ele indicados, além de eventuais perdas e danos, valendo a mesma regra se foram veiculados dados falsos no documento" (Daniel Alcântara Nastri Cerveira).

Existem vários tipos de expansão dos negócios e todo crescimento empresarial é benvindo,

devemos comemorar. O alerta serve para os que crescem chamando de franquias sem respeito ao que este sistema regulamentou em termos jurídicos. Regulamentações do sistema de franchising que minimizam os potenciais conflitos e explica os direitos e deveres. Estou nessa defesa e como franqueado gostaria que o mercado respeitasse o sistema.


A “COF tem como função transmitir todas as informações necessárias ao candidato e,

assim, possibilitar que o negócio seja concretizado com a devida ciência das regras e

condições”. Franquias são um sistema essencialmente de respeito as regras, padrões e

procedimentos, comece respeitando essa essência para ser feliz na escolha do seu

investimento.


Se o seu franqueador não tem COF é fake!

A lei prevê as informações que obrigatoriamente devem constar da COF: histórico da

franquia, balanços e demonstrações financeiras da empresa franqueadora, perfil do franqueado ideal, investimento inicial, valor do royalties e taxa de publicidade. Prevê os

anexos - os contratos entre o franqueador e o franqueado.


Estamos entre os dez países com mais franquias no mundo e com muitas marcas brasileiras presentes (instaladas) pelo mundo. Existem números comparando a mortalidade entre empresas “solitárias” e pertencentes ao mundo do franchising – indicam risco muito menor entre as franquias. Investimento normalmente maior para as franquias com um risco bem menor, regras que reproduzem os investimentos do mundo real (risco e retorno são inversamente proporcionais).


Tive experiências que um pretenso investidor do varejo entendia ser menos desafiador, menos empreendedor quando se optava pelo sistema que te entrega muita coisa pronta.

Questionava-se a “não liberdade” de escolher onde montar, o que vender, como trabalhar, o que decidir. Se você pensa assim tens perfil de montar sua própria loja. Para completar a experiência o sujeito abriu uma franquia, exatamente igual a minha, talvez por sentir a seriedade da relação que eu tenho com o franqueador.


Talvez por perceber que liberdade é relativa. Quem manda nos produtos que vendemos é o cliente e não o empresário dono do negócio. Literalmente nosso papel é de entender o que o patrão (o cliente) vai querer, a que horas vai consumir, de que jeito quer pagar e onde comprará. Penso que olhar para franquias como menos desafiante é erro de análise, o tamanho do investimento, o pertencimento a um coletivo e a responsabilidade de representar uma marca trazem aprendizados e dificuldades bem próprias do sistema.


Uma rede iniciando na expansão tem seus desafios e oportunidades, assim como marcas já estabelecidas. O preço pago deve ser proporcional ao risco, sempre. Atente-se para aquele “papo de botequim” que elogia a rede de franquia que dá liberdade ao franqueado de escolher quase tudo. Nesse caso você está pagando pelo know how – escolha do ponto, estudo de viabilidade, desenvolvimento de produtos, fornecimento dos insumos, padronização da rede - e não estará recebendo.


Uma rede de franquias, que concorre diretamente a minha, faz analises sempre muito otimistas do futuro faturamento da loja. Em uma feira de franquias um candidato conhecido meu, que já tinha o ponto comercial teve da minha rede uma previsão de metade da venda da rede concorrente. Minha sensibilidade dizia que o mais honesto era o número menor. Como descobrir que superestimam a venda? Pesquise a rotatividade de donos daquela loja. Essa rede muito otimista, para eu ser elegante com o concorrente, troca constantemente de franqueado. No shopping da minha cidade já mudou a loja quatro vezes e em nenhum lugar encontrou a felicidade para o franqueado.


O que sugiro, se permitir sugerir algo, é perceber quais as características você tem como investidor. Entre no franchising conhecendo o que é o sistema por estudo e por conversas com já franqueados. Escolha a marca também por pesquisas teóricas e práticas. A negociação comercial (taxa de franquia) é linda, as promessas de vendas altas também, mas só trará felicidade se te entregarem o prometido.


https://www.abf.com.br/o-franchising-e-a-lei-de-franquias-no-brasil/

know-how - conhecimento de normas, métodos e procedimentos em atividades

profissionais, esp. as que exigem formação técnica ou científica. Habilidade adquirida

pela experiência; saber prático.

“papo de botequim” – papo furado.


Mauicio Salkini - Administrador, Pedagogo Social e Gestor no varejo. Membro do Grupo de Pesquisa em Pedagogia Social – PIPAS/UFF, empresário desde de 1990, com experiência no Bobs, Kopenhagen e Rei do Mate (nesta franquia também conselheiro). Vencedor do premio Ser Humano ABRH 2019. Conselheiro do Projeto Grael. Iniciante na arte dos versos e das rimas. Pai do Artur e flamenguista. . Artigos na Revista da Pedagogia Social UFF, no portal Central das Franquias e na Revista N. Conteúdo no Instagram como @mauriciosalkini e Podcast "Trilogia saudável" (Spotify ou Anchor)

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